AS PARTES DA MISSA

 

 

Quem celebra a eucaristia ?

 

Ø      Quem celebra é a comunidade eclesial, que na ação fecunda do Espírito louva a Deus, que nos salvou em Cristo Jesus. Nisso consiste o culto do novo povo de Deus, o povo da nova aliança, a Igreja = comunidade dos batizados em nome do Pai, do folho e do Espírito Santo.

 

Ø      Em virtude do santo Batismo, a Igreja é uma  assembléia  sacerdotal. A base teológica está na participação no sacerdócio de Cristo pelo sacramento do batismo. Portanto, a assembléia é um sinal sacramental da Igreja, Corpo de Cristo. Povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (LG,4). Configurados a Cristo, pelo Batismo, somos um povo sacerdotal e isto implica diretamente uma mudança da relação povo/clero na celebração da Eucaristia.

 

Ø      A missa é uma ação simbólica, um conjunto de ritos, onde se realizam as ações  que têm por objetivo a glorificação de Deus e a santificação da comunidade reunida. É dividida em duas grandes partes e cada uma com sua subdivisão:

 

PRIMEIRA PARTE – LITURGIA DA PALAVRA

 

Ritos iniciais

 

Acolhida inicial è Deve ser o mais breve possível, pois não é um discurso nem homilia. Quando fica longo, quebra o ritmo da celebração. O seu conteúdo deverá ser sempre um convite para a celebração, colocando a assembléia dentro do contexto do que será celebrado. O rito inicial deve ser sóbrio.

 

Canto de abertura ou inicial è O canto inicial dá o tom de abertura da celebração. A finalidade é mais que acolher os que estão entrando em procissão. Antes de tudo, é  para acolher o mistério que se celebra e inserir-se nele. O canto inicial dá  tonalidade  e ritmo ao rito de ingresso. Ele é chamado também de canto de ingresso. Pode ser mais festivo ou não. Deve  expressar o sentido  daquela celebração.

 

•         A procissão de entrada expressa a entrada de Deus na história da humanidade e manifesta, pelo ritmo  dos passos e nossa postura corporal, a  nossa dignidade batismal. A procissão inicial expressa a beleza e remete para o esplendor dos mistérios de Cristo. É o toque revelatório que vai do evento encarnacional  a Pentecostes. O rito de ingresso pede-nos uma atitude de contemplação. Ele suscita no fiel o desejo de ingressar no coração do mistério.

 

 

 

. A procissão inicial não é uma auto-revelação de pessoas, é um avanço progressivo e ininterrupto rumo a humanização que diviniza. Não é um modo de caminhar para superar uma distância espacial, é o cortejo dos redimidos ruma  ao altar da redenção.

 

•         Os passos demonstram a ação do ressuscitado que conduz e encaminha os corações dos caminhantes para  a experiência do amor de Deus que se dá na singeleza profunda da Palavra e da Fração do Pão = alimentos dos viandantes. 

 

•         Os que caminham, nessa procissão, não vagam inútil e de forma comum, esse rito pede passos solenes e firmes. Não só por uma questão de disciplina, mas porque assim a beleza e o esplendor do mistério resplandece melhor.

 

•         O corpo ereto se move sem pressa cheio de temor rumo ao mistério tremendo e fascinante. O fiel experimenta, assim, o mistério da  sua dignidade inviolável e finita, infinitizando no mistério eterno que o envolve. A procissão de entrada fala da nossa divina beleza de batizados, de ser povo sacerdotal, de ser o povo da nova aliança, ser Igreja, o novo povo de Deus. 

 

    As duas Saudações:

 

•         A primeira saudação: ao altar, ou mesa do Senhor = lugar da ação de graças dele a Grande  Oração, isto é, a Anáfora é dirigida ao Pai.

 

Ao chegar no presbitério, todos fazem uma vênia para o altar. Os ministros ordenados e o presidente da celebração (se for bispo, padre ou diácono) beijarão o altar, que  representa o próprio Cristo.

 

•         A segunda saudação: é dirigida à assembléia. Ela vem precedida pela confissão  trinitária da fé.  E do sinal da cruz. Traçando sobre si o sinal da cruz, o cristão e toda a assembléia dos batizados repetem esse gesto do dia do seu batismo e e reafirma conscientemente sua pertença a Cristo  que,  por amor, até a morte e morte de  cruz, Ele nos salvou.

 

Esse sinal aparece desde o século III na África e em Roma, no Rito de iniciação cristã. Fazendo  o sinal da cruz sobre nós mesmo, é como se cantássemos: todos nós devemos gloriar-nos da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é causa de orgulho para nós porque é o lugar da afirmação da vitória de Cristo em confronto com o mundo. Depois da madrugada da ressurreição,  a cruz tornou-se um  sinal sacramental do poder e da sabedoria de Deus.

 

Como dizia K. Rahner, a cruz é a manifestação eminente de Deus, ela revela e evoca o modo como se pode tornar operante a ressurreição na vida terrena do cristão.

 

Em seguida, o presidente afirma em nome de quem aquela assembléia está congregada: “em nome do Pai, do  Filho e do Espírito Santo” (é uma confissão trinitária da fé revelando a índole trinitária da liturgia. É a Tríade divina que a tonica da koinonia eclesial).

 

 Em seguida, aquele que preside a assembléia, abrindo os braços tal como ele abriu para beijar o altar, que representa Cristo, agora ele abre os braços como Cristo na cruz abraçando, intencionalmente, toda a Igreja, Corpo de Cristo, (representada naquela assembléia) a quem ele, na pessoa de Cristo,  diz: “ A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”. (Se é o Bispo que preside pode dizer “a paz esteja convosco, ou  outra das fórmulas contidas no missal).

 

Ato penitencial è  começa com a forma de confissão geral: “Confesso a Deus todo poderoso e a vós irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço a virgem Maria, aos anjos e santos e a vós irmãos e irmãs, que rogueis a Deus, nosso Senhor. É o momento de reconciliação com Deus e os irmãos”. A conclusão se dá pela absolvição do sacerdote.

Inclinar a cabeça é sinal de recolhimento e contrição. Bater no peito exprime arrependimento e humildade como o publicano da parábola de Lc 18,13 e alguns dos que presenciaram a crucificação Lc 23,45.

 

Hino de louvor (Glória) è hino pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro, é cantado pela assembléia, ou alternado entre coro e assembléia, ou solo e assembléia. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. Embora as pessoas divinas sejam mencionadas, ele não é um hino trinitário, mas cristológico. A grande súplica e louvor da Igreja, congregada no Espírito, é dirigida a Deus Pai e ao Cordeiro

 

Com o Glória a comunidade dos fiéis louva o Pai por sua glória e anuncia a paz aos homens e mulheres de boa vontade e que são  amados por Deus. É um hino de contemplação do Filho sentado á direita do Altíssimo. 

 

Oração da coleta è É uma oração que “recolhe”, sintetiza os sentimentos e intenções da assembléia. É feita em nome e na intenção de toda a Igreja.

 

LITURGIA DA PALAVRA

 

É Cristo quem fala quando as Escrituras são proclamadas na liturgia (SC, 7).

 

 Esse é um momento kerigmático composto por três atitudes: escuta, proclamação, explicação = (anuncio = kerigma).

 

A escuta e a proclamação da Palavra suscita no catecúmeno e alimenta a fé do batizado.

A voz que ressoa é humana, a Palavra que é proclamada = pronunciada é divina.  A palavra deve ser proclamada com sentimentos correspondentes à mensagem do texto que se proclama: alegria, esperança, tristeza, ameaça. Dessa forma o leitor ajuda a assembléia a compreender a mensagem e a vivenciar o mistério anunciado.

 

Como sabemos, do ponto de vista estético, o metal ouro revela a luz que vem da presença divina  na matéria.                                                     

 

A forma semi-circular deste ambão evoca o círculo todo ou a roda que é símbolo do princípio sem princípio. O sol sem ocaso. Daqui, o reino messiânico é anunciado. A palavra, aqui proclamada, chega como chamas de fogo de  rodas   ardente conforme a visão de Daniel 7, 9. Aquele mesmo fogo que Ezequiel via  nas rodas chamejantes das asas dos querubins (Ez 1,4).                                           

A palavra do Senhor é o fogo do Espírito que faz arder os corações dos discípulos como outrora, no caminho de Emaús. Este ambão em semi-circulo indica o lugar de onde se  anuncia e explicita a  revelação divina. A pomba  e as sete chamas querem expressar a onisciência e onipresença de Deus que, na ação do seu Espírito, faz a Palavra frutificar no coração de quem a ouve e acolhe.

 

O ambão é o trono santo da Palavra santa. Para diante dele os santos de Deus são convocados para julgar com ele a própria consciência. Neste caso,  ele  tem a forma de uma roda recordando o trono de Deus com suas rodas, ardentes e deslumbrantes (Ez 1).

 

Falo daquele trono de que fala Daniel na sua visão e contemplação do Filho do Homem. “Seu trono eram chamas de fogo um rio de fogo corria irrompendo diante dele. Milhares o serviam, miríades e miríades o assistiam. O tribunal tomou assento e os livros foram abertos”.

 

Sobre o ambão não estão os livros onde se inscrevem todos os atos humanos bons e maus, os pecados de Judá, conforme Jeremias 17,1. No ambão está o Livro da Vida que é aberto e do qual é  proclamada nossa salvação.

 

“Em pé diante do trono abriram-se livros. Também foi aberto outro livro o da vida” (Ap 20,12). No livro da vida estão os nomes daqueles que tiveram suas vestes lavadas no sangue do cordeiro. São os que tiveram sua fé alimentada pela Palavra, por isso  deram testemunho do Cordeiro. O fim deles não é o martírio, e sim a glória. As testemunhas do Cordeiro tem os seus nomes inscritos no céu (Lc 10,20).

 

O lugar da proclamação da palavra

 

•         O Concilio Vaticano II resgatou a antiga expressão “Mesa da Palavra” (SC, 51). No recinto da igreja deve existir um lugar elevado, fixo, adequadamente disposto e com a devida nobreza, que ao mesmo tempo corresponda a dignidade da Palavra de Deus e lembre aos fiéis que na missa se prepara a mesa da Palavra de Deus e do corpo de Cristo.... Por isso pede proporção e harmonia entre ambão e altar. 

 

•         A constituição dogmática Dei Verbum diz: “ a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como também o próprio corpo do Senhor,sobretudo na sagrada liturgia, nunca deixou de tomar e distribuir aos fieis, da mesa tanto da Palavra de Deus como do corpo de Cristo, o pão da vida” (DV, 21).

 

•         Nota-se uma volta às fontes. E, esse sentido, a Palavra vai sendo redescoberta e a vida da comunidade vai sendo plasmada em Cristo. É Ele o centro de todo a Igreja.

 

 

Primeira leitura è são textos bíblicos (perícopes) geralmente do Antigo Testamento, onde são narradas a formação do povo de Deus.

 

Salmo responsorial è  É parte integrante da liturgia da Palavra (IGMR,61). Portanto, não é um apêndice, é parte integrante. Favorece a meditação da Palavra de Deus. Tanto quanto possível, deve ser cantado, ao menos no que se refere ao refrão do povo.

 

Segunda leitura è texto bíblico (perícope) exclusivamente do Novo Testamento e narra o começo da Igreja.

 

Canto de aclamação è com exceção da quaresma, em todos os tempos litúrgicos este canto tem que Ter aleluia, que quer dizer: alegria, Deus seja louvado.

 

Evangelho è é a Palavra de vida.

 

Homilia è É uma conversa familiar onde o presidente da celebração faz o confronto da Palavra com a realidade, dando dicas e pistas para a ação proposta por Cristo.

 

Profissão de fé è é uma resposta à Palavra de Deus que exprime a unidade da Igreja na mesma fé, é o fundamento da vida e da caminhada.

 

Oração da comunidade è pede-se a ajuda e salvação a Deus, espontaneamente, partindo-se dos interesses e necessidades da Igreja, da comunidade e da humanidade toda.

 

SEGUNDA PARTE – LITURGIA EUCARÍSTICA

 

Canto, procissão das oferendas e apresentação dos dons è de ritmo moderado e suave. É o momento da apresentação dos dons: o pão e o vinho, as pessoas, gestos e símbolos que representam a caminhada.

 

Na missa crismal da quinta-feira santa, procissão com os santos óleos que serão consagrados.

Procissão das oferendas è os fiéis levam para o altar os dons para a celebração da Eucaristia. O missal usa o termo pão e vinho. Devo lembrar que há outros ritos no Oriente que não usam hóstia e sim o pão.

 

Apresentação dos dons è “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano, que agora vos apresentamos, e para nós se vai tornar pão da vida”.

 

A orientação é a seguinte: “O sacerdote toma a patena com o pão e, elevando-a um pouco sobre o altar, reza em silêncio. Se não houver canto ao ofertório, poderá o sacerdote rezar em voz alta as palavras acima e o povo acrescentar a aclamação: bendito seja Deus para sempre”.

 

Depois de colocar o vinho (símbolo da divindade de Cristo)  dentro do cálice coloca-se um pouco de água (símbolo da nossa humanidade). Nossa humanidade foi assumida pela divindade do Verbo que se fez carne.

 

 “Em seguida o sacerdote toma o cálice e elevando-o um pouco sobre o altar, reza: pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e trabalho humano,que agora vos apresentamos e que para nós se vai tornar vinho da salvação” (Missal Romano, liturgia eucarística, 20-21).

 

Sempre que pronunciamos estas palavras recordamos a inesquecível poesia de Dom Helder:

“Da galheta cheia, uma só gota foi chamada a participar da oferenda divina.

Por que aquela e não outra?

Não vemos nada, não sabemos nada.

Comoveu-me a placidez da água restante que logo a seguir lavou humilde e feliz as minhas mãos de pecador”. (Dom  Helder Cârmara, O deserto é fértil, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1977,17).

 

Intercessões/Súplicas è  orações que  exprimem que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja. “lembrai-vos ó Pai da vossa igreja”. A Igreja na história (Papa, Bispos, Presbíteros, Diáconos e todo o povo) e a Igreja na Jerusalém celeste: “os que morreram na esperança da ressurreição e de todos que partiram desta vida”. Expressa o desejo de comunhão plena: “dai-nos participar da vida eterna com a Virgem Maria, com os Apóstolos e todos que neste mundo vos serviram” (Anáfora II).

Primeiro ou segundo concelebrante. (Convém respeitar a posição hierárquica, a ordem e a função que cada concelebrante ocupa naquela celebração). Vale lembrar o celebre princípio da Sacrosantum Concilium, “nas celebrações litúrgica, seja quem for, ministro ou fiel, exercendo o seu ofício, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (SC, 28).

 

Ablução das mãos è o gesto do sacerdote lavar as mãos após a preparação das oferendas significa o desejo de um coração limpo e uma vida santa para que Deus seja glorificado em nós.

 

Oração eucarística è A oração eucarística possui várias subdivisões:     Prefácioè exprime o louvor e a ação de graças a Deus pela obra que se torna presente na oração eucarística.

 

Prefácio

 

Os elementos principais da anáfora eucarística são:

 

A ação de graças que se exprime especialmente no prefácio.

 

O Sanctus, a anamnesis, a epliclesis. A narrativa da instituição, as intercessões e a doxologia.

 

 

O que é o prefácio?

 

É a parte inicial de uma anáfora. Em geral, o Prefácio expressa o sentido especial da solenidade ou da festa que a Igreja celebra na totalidade do mistério de Cristo na dinâmica cíclica do Ano Litúrgico. Ele é dirigido a Deus Pai e, por isso, deve ser proclamado do altar.

 

O prefácio pode ser compreendido em quatro partes:

    

1 - Diálogo introdutório.

 

O prefácio começa com um diálogo entre o sacerdote presidente e assembléia dos fiéis. Esse preâmbulo dialogado do Prefácio é antiguíssimo e, não obstantes algumas variações na liturgia antiga, no Ocidente, ele é atestado desde o aparecimento da Traditio Apostólica.

 

Como mistagogo da fé, o sacerdote se dirige à assembléia com uma saudação que é, ao mesmo tempo, uma afirmação da presença do ressuscitado no meio dela.

 

O Senhor esteja convosco

        

O sacerdote presidente dirigindo-se aos fiéis com esta saudação “o Senhor esteja convosco”, faz uma afirmação confessional da presença do ressuscitado no meio dos seus.

        

Esta afirmação é o mesmo que dizer: “não temais, ele está aqui, pois ressurgiu, conforme havia dito” (Mt 28 5-6). O diálogo do preâmbulo prefacial é um diálogo do ressuscitado com a Igreja, sua amada.     

 

Ele está no meio de nós.

 

Ela deve responder em tom de júbilo pascal expressando, assim, a comunhão na mesma fé e seu assentimento à solene afirmação do que preside in persona Christi. Se cremos e professamos que ele está no meio de nós, é preciso que dele nos aproximemos com alegria, “alegrai-vos”. Trata-se de uma alegria que toca o mais profundo da existência humana. É a alegria da fé que faz todo crente se prostrar diante da presença do amado que fascina. Mt 28 9-10.

 

Corações ao alto, sursum corda

 

O sacerdote convida o povo a elevar o coração até o Senhor e a associar-se a ele na solene oração que ele, em nome de toda a comunidade, dirigirá ao Pai, por meio de Jesus Cristo, no Espírito.

        

Diz Cirilo de Jerusalém: “nesta hora mui tremenda é preciso ter o coração no alto, junto de Deus e não embaixo na terra, nas coisas terrenas”. A expressão “corações ao alto” é mais que um convite é uma ordem. O presidente com autoridade de mistagogo da fé e na pessoa de Cristo ordena que todos abandonem as preocupações que possam impedir-nos a lembrar de Deus e colocar Deus como destinatário primeiro da nossa atenção e do nosso amor.

 

 

Nosso coração está em Deus.

 

Ter o coração no alto é ter o coração em Deus. Ter o coração em Deus é “amar a Deus sobre todas as coisas”. Se nossa fraqueza humana dificulta-nos viver nessa perene sintonia, naquela hora, devemos fazer tudo o que depender da nossa condição humana para colocar Deus no primeiro lugar do nosso coração.

 

Demos graças ao Senhor nosso Deus

 

Devemos dar graças a Deus. Ele nos reconciliou e nos fez dignos da adoção do Espírito. Quando damos graças fazemos algo justo, isto é reconhecemos o que Deus fez por nós.

 

É nosso dever e salvação.

 

É digno e justo reconhecer os feitos de Deus em nosso favor. Toda assembléia se une a Cristo e, em Cristo, ela enaltece as obras de Deus e, no Espírito, se oferece ao Pai, no sacrifício redentor de Cristo.

 

2 - Protocolo Inicial

          (Prefácio dos Apóstolos I).

 

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus todo-poderoso e cheio de bondade.

 

3 - Embolismo

        

Pastor eterno, vós não abandonais o rebanho, mas o guardais constantemente pela proteção dos apóstolos. E assim a Igreja é conduzida pelos mesmos pastores que pusestes á sua frente como representantes de vosso Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso.

 

4. Protocolo final.

 

Por ele, os anjos celebram a vossa grandeza e os santos proclamam vossa glória. Concedei também a nós associar-nos a seus louvores, cantando (dizendo) a uma só voz.

 

Santoè É um canto vibrante e fica mais vibrante quando se canta acreditando no que está sendo cantado. Pela ordem é o canto mais importante da missa.

 

Epíclese/Epicleseè É a invocação do Espírito Santo.

 

Narrativa da ceia/Consagração è Comparar as duas elevações. A do Papa e a do outro presbítero. A elevação durante a narrativa não deve passar da cabeça. Não antecipar a doxologia. Celebrar bem é realizar  cada gesto sem que nenhum sobreponha ao outro. A cada consagração realizada na liturgia acontece sempre uma atualização do mistério pascal de Cristo.

        

 

Anamnese/Memorial

 

   Cumprindo a ordem recebida do Cristo Senhor através dos apóstolos, a Igreja faz memória do próprio Cristo, relembrando principalmente a sua paixão, a gloriosa Ressurreição e a ascensão aos céus.

   A liturgia passa a ser compreendida, como conceito e realidade, a celebração do mistério pascal de Cristo perpetuado na ação da Igreja. É Cristo ressuscitada quem convoca a Igreja e preside a ação litúrgica. Por isso a liturgia é, também, expressão do belo da presença do ressuscitado.

 

Oblação è Procissão das oferendas ou apresentação dos dons. A Igreja reunida realizando o memorial da salvação, oferece ao Pai, por Cristo, na ação do Espírito Santo, a hóstia imaculada fruto da terra e do trabalho humano e o vinho fruto da videira. Esses dons, eucaristizados, se transformam no corpo e sangue do Senhor. Alimento para a vida eterna. Recebemos o que somos, o Corpo de Cristo. Não damos coisas para Deus, nós somos a oferta com o pão e o vinho. A oferta material é para as necessidades da comunidade. Nossa oferta se une à oferta de Cristo.

 

Doxologia e elevaçãoè na celebração eucarística temos apenas uma elevação é a doxologia final: por Cristo, com Cristo e em Cristo. É a parte conclusiva da anáfora. Não é uma simples aclamação.

 

Por si mesma, ela exprime a glorificação de Deus. A aclamação de assentimento é o amém da assembléia.  Convém que a doxologia seja  cantada pelo presidente e, facultativamente, pelos concelebrantes, no caso de concelebração.

 

Não convém ao presidente ficar de mãos vazias durante a doxologia. A ele compete segurar a patena com a hóstia maior numa mão e o cálice na outra. Pode-se também segurar a hóstia grande sobre o cálice. Celebrar bem é não usar o artificialismo de adições inoportunas. É realizar com fé o que faz.

 

 Na concelebração não se prevê que algum concelebrante eleve o cálice. Por ele não ser ministro do cálice como o diácono. “menos ainda que o presidente da celebração distribua entre os concelebrantes o cálice e as diversas âmbulas ou patenas”.

 

Quem preside não deve ficar com as mãos vazias na doxologia. Não existe presidência coletiva ou partilhada. Podemos chamar isso de socialismo litúrgico. Para alguns, “tal distribuição acaba constituindo um ruído, uma distração, servir ao cálice é função do diácono”. 

 

Alguns defendem a presidência partilhada. Penso que esse argumento é frágil e carente de substrato teológico. A celebração não está  centrada na pessoa de quem a preside, mas quem preside é sacramento de Cristo e deve remeter para Cristo. É nele, por ele e com ele, na ação do Espírito, que toda a oração da Igreja vai a Deus e toda bênção de Deus chega à Igreja.

 

 

Ainda bem que existe uma norma que amplia a função dos concelebrantes. É  uma norma  bem reconhecida. “Se não houver diácono suas funções serão desempenhadas por alguns dos concelebrantes...Instrução Geral do Missal Romano, 208). Na minha opinião há duas coisas que devem ser evitadas: a coletivização da presidência e a privatização dela. A socialização arbitrária e o personalismo individualista. O que é do presidente não é de todos e o  que é de todos os concelebrantes não pode ser só do presidente. 

 

Pai Nosso è é um resumo dos ensinamentos de Jesus e propõe unidade entre todas as pessoas.

 

Abraço da paz è o gesto da paz na celebração deve incluir o compromisso de trabalhar pela paz no mundo e a unidade das pessoas.  Ele não é um gesto isolado no contexto de uma celebração. Esse gesto não tem conotação “nem de reconciliação nem de remissão dos pecados, mas simplesmente a função de manifestar a paz, comunhão e caridade antes de receber a Santíssima Eucaristia” (Redencione Sacramentum, 71).

 

Convém que seja um rito sóbrio e seja dado a quem estiver mais próximo. O que preside deve permanecer sempre no presbitério. Faça também assim, se por algum motivo razoável quiser dar a paz a algum dos fiéis” (Redencione Sacramentum).

 

O missal não prevê execução de canto para o rito da paz. Pelo contrário as últimas instruções pedem para não cantar. “Nem se execute qualquer canto para dar a paz, mas sem demora se recite o Cordeiro de Deus”, (Red. Sacramentum, 72).

 

Durante o sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia, pensou-se a possibilidade de  moderar esse gesto que, em alguns lugares, tem assumido expressões excessivas suscitando confusões nas assembléias antes da comunhão. Nada deve tirar desse gesto “a sobriedade necessária para se manter um clima apropriado à celebração, limitando, por exemplo, a saudação da paz a quem está mais próximo” (Sacramentum Caritatis, 49).

 

“Tendo em consideração antigos e veneráveis costumes e votos expressos pelos padres sinodais, pedi aos Discatérios competentes que estudassem a possibilidade de se colocar a saudação da paz noutro momento, por exemplo, antes da apresentação das oferendas ao altar. Aliás, tal escolha não deixaria de suscitar uma significativa evocação da advertência feita pelo Senhor a propósito da necessidade de reconciliação antes de qualquer oferta a Deus (Mt 5,23)” (Sacramentum Caritatis, nota 150).

 

Cordeiro de Deus è poderá ser cantado ou recitado pela assembléia. Dá sentido ao gesto de Jesus na última ceia: entregou-se por nós.

 

Fração do pão è momento em que o padre reparte a hóstia grande e mistura um pedaço do Corpo ao Sangue que está no cálice. Se a beleza é um ato de amor, a liturgia é a suprema beleza em ação. É o mistério em ação seduzindo com a simplicidade e eloqüência da eterna beleza.

 

Sinal da comunhão è é a afirmação/convite para que TODOS participem da Ceia do Cordeiro.

 

Canto de comunhão è que exprime a alegria da participação na Ceia do Senhor.

 

Comunhão/Eucaristia è é um Dom que o Senhor oferece à comunidade, aos fiéis.

“Canto de ação de graças” ou depois da comunhão è é o momento pós-comunhão. Seria bom valorizar o silêncio nesta hora, para que cada um pudesse estar em oração íntima e particular com Cristo.

 

 

Ritos finais

 

 

·         Oração pós-comunhão è pede-se a Deus que todos possam produzir muitos frutos, uma vez que todos receberam a força de Jesus que é alimento.

 

 

·         Avisos è são encaminhamentos práticos da vida da comunidade. Não deve se estender muito.

 

 

·         Benção final è Deus abençoa a todos porque ama a todos e isto nos leva a sermos agradecidos a Ele.

 

LITURGIA É O CÉU AQUI E AGORA

 

Na Liturgia vivemos, por antecipação, a vida do céu.

No céu todos participam.

No céu cada um pode dar sua opinião.

No céu não existem monopólios.

No céu existe muito amor.

Ninguém gostaria de chegar tarde ao céu.

Todos partilham do amor de Jesus.

Existe plena comunhão.

No céu louvamos o Pai com todas as forças.

Ninguém quer sair do céu.

Ninguém acha o céu a maior chatice.

Do céu ninguém diz: “Se der tempo dou um pulinho lá...”

Ninguém fica chateado por ficar mais de uma hora no céu.

No céu todos são membros de um mesmo corpo: o Corpo de Cristo!

Adaptação:  Frei Paulo Afonso Mendes

 
 
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